Obras do Cais do Valongo chegam à segunda fase
Investimento de R$ 2,1 milhões vem de empresa chinesa para beneficiar patrimônio tombado pela Unesco
A segunda fase para continuação das obras do Cais do Valongo foi lançada na terça-feira, 17 de setembro. As intervenções para adequação do sítio arqueológico às exigências da Unesco está focada em melhorar a iluminação do local, financiar projetos educativos e implantar nova sinalização informativa. As atividades estão previstas para durar um ano. O investimento de R$ 2,1 milhões é da estatal chinesa de rede elétrica State Grid Brazil captado via linha de financiamento ISE (Investimentos Sociais de Empresas), disponibilizada pelo BNDES.
A iniciativa é supervisionada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a gestão do projeto é do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) com apoio da Prefeitura do Rio por meio da Secretaria Municipal de Cultura, da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

Investimento de R$ 2,1 milhões de estatal chinesa melhora iluminação do local, financia projetos educativos e implanta nova sinalização informativa
O Cais do Valongo ganhará módulos expositivos que contam a sua história e a da região conhecida como Pequena África. Também haverá instalação de guarda-corpo, iluminação cênica monumental, sinalização direcional, sistema de segurança por câmeras, um projeto educativo voltado às escolas da região portuária, além de ações de comunicação para engajar a sociedade sobre a importância histórica do local.
Durante o evento de lançamento da nova fase, grupo de aproximadamente 60 pessoas, maioria crianças em uniforme escolar, participavam da visita guiada oferecida pelo Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN). O secretário de cultura, Adolpho Konder, propôs que mais passeios como aquele fossem feitos ao local. “O que estamos fazendo hoje aqui é muito importante. Nós temos que contar a história desse espaço para os jovens brasileiros, para eles conhecerem o Cais do Valongo, este Patrimônio da Humanidade”, defendeu.
O sítio histórico está em obras desde novembro de 2018, quando foi lançado projeto de restauro das pedras, limpeza, higienização, conservação e consolidação do lugar, com acompanhamento arqueológico. Essa implementação, também a cargo do Iphan e do IDG com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e investimentos do Consulado Americano no Rio de Janeiro, tem previsão de conclusão em novembro.
O Cais do Valongo foi considerado Patrimônio Mundial da Unesco, em 2017, por ser o único vestígio material do desembarque de cerca de um milhão de africanos escravizados nas Américas. Esta é a segunda grande intervenção no local desde a obtenção do título e tem, entre outros objetivos, a missão de difundir o valor histórico do local. O sítio arqueológico foi redescoberto em 2011 durante obras de revitalização da Prefeitura na zona portuária do Rio de Janeiro, na operação urbana Porto Maravilha. Rapidamente, recuperou seu significado na memória da escravidão no mundo e hoje é parte importante da área da cidade conhecida como Pequena África.