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MAR inaugura principal exposição do ano, “O Rio dos Navegantes”

Evento de abertura tem show de Teresa Cristina e apresentação do projeto Pra Gira Girar: uma celebração aOs Tincoãs, com a participação especial do músico Mateus Aleluia

O Museu de Arte do Rio (MAR) inaugura no sábado, 25 de maio, a exposição principal do ano, “O Rio dos Navegantes”. A mostra traz uma abordagem transversal da história do Rio de Janeiro como cidade portuária, do ponto de vista dos diversos povos, navegantes e imigrantes desde o século XVI. No dia da inauguração, o museu terá horário de funcionamento especial, das 16h às 21h, além da entrada gratuita (liberada de 25 de maio a 25 de junho). O projeto Pra Gira Girar se apresentar a partir das 19h. Às 20h, Teresa Cristina canta Paulina da Viola.

Entrada do complexo de refugiados da Ilha das Flores | Kurt Klagsbrunn

“O Rio dos Navegantes” reúne cerca de 550 peças históricas e contemporâneas, entre pinturas, fotografias, vídeos, instalações, objetos, documentos e esculturas. Entre os destaques da curadoria está um raro tapete feito pela Manufatura dos Gobelins – um complexo de oficinas dedicadas à produção de tapeçarias e mobiliários na França do século XVI. Também promete chamar a atenção do público um painel de cinco metros, pintado em madeira pelo artista Carybé e pertencente ao acervo do Museu do Ingá. Outro destaque é o desenho original de Hélio Eichbauer que foi transformado em um painel na emblemática montagem da peça O Rei da Vela, em 1967, e mais tarde virou capa do disco O Estrangeiro, de Caetano Veloso.

Para ampliar a viagem pela história do Porto do Rio e seus desdobramentos, o museu firmou parceria com 37 instituições públicas e privadas, que cederam trabalhos para a exposição. Do Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2018, virão 15 peças de diversas coleções da seção didática do museu, como conchas, corais, artefatos líticos e frascos que apresentam a biodiversidade da baía de Guanabara. Outro destaque é o vídeo instalação do sul-africano Mohau Modisakeng, exibido na Bienal de Veneza de 2017. A obra simula barcos com figuras submersas e aborda o desmembramento da identidade africana pela escravidão, que promoveu violentos apagamentos de histórias pessoais.

A exposição não se limita aos espaços tradicionais do museu. Na rampa que leva o visitante ao pavilhão, o público é ambientado por meio de uma das cinco obras comissionadas pelo MAR. Vozes, conversas e sons ambientes da Região Portuária foram reunidos pelo artista carioca Floriano Romano no trabalho “O Som do Porto”, que dá a dimensão da diversidade na área. Mais quatro trabalhos foram desenvolvidos pelos artistas Aline Motta, Carlos Adriano, Katia Maciel, Regina de Paula e Wilton Montenegro especialmente para “O Rio dos Navegantes”.

A mostra também dá voz a personagens famosos e anônimos da região, como Arthur Bispo do Rosário, João Cândido, as polacas Berta, Esther e Rachel, o Dragão do Mar, os comerciantes árabes do mercado popular Saara, entre outros, que terão suas vidas narradas por obras e documentos da época. Documentos e imagens raras mostram indígenas escravizados construindo os Arcos da Lapa, evidenciam os problemas das enchentes do Rio desde o século XVI e questionam o mito da praia democrática, evidenciando tensões sociais no espaço público e as praias do subúrbio, como as do Caju, Ramos, Sepetiba e Ilha do Governador.

Sala imersiva “FLUXO” abre no mesmo dia

No dia 25 também será inaugurado o primeiro espaço imersivo do MAR, com o objetivo de propor ao visitante uma experiência sensorial. A instalação de estreia, FLUXO, é uma experiência imersiva que explora o movimento contínuo, fluido, espontâneo. Ao entrar na sala escura, o visitante perceberá que suas pegadas criam rastros que o conectam a um núcleo onde imagens e sons inspirados na exuberante natureza do Rio de Janeiro surgem de todos os lados. Constelações, águas, tempestades e traçados ancestrais são projetados em telas que envolvem o público e o transportam para um espaço-tempo outro, fora da história, livre de começos-meios-fins.

“Esse projeto é um experimento criado a partir de conversas com grupos de jovens convocados pelo museu. Possui uma dimensão poética, epifânica e sensorial, que traz, no seu âmago, essa ideia de fluxo pois cria conexões e movimentos por meio de uma movimentação contínua”, explica Eleonora Santa Rosa, diretora executiva do MAR. Liana Brazil, diretora criativa da SuperUber, responsável pela criação da sala, completa: “Esse tipo de arte está cada vez mais presente nos museus do mundo. Com a inauguração dessa instalação, o MAR entra na onda da interdisciplinaridade da arte”, observa.

O Museu de Arte do Rio – MAR

O MAR é um Museu da Prefeitura do Rio na Praça Mauá. Com gestão do Instituto Odeon, uma organização social da Cultura contratado pela prefeitura, o museu tem o Grupo Globo como mantenedor, a Equinor como patrocinadora master, a Bradesco Seguros como patrocinadora e o BNDES como apoiador financeiro por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O MAR tem apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério da Cidadania e do Governo Federal do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Serviço
Inauguração “O Rio dos Navegantes”

16h: Abertura da exposição
16h: Abertura da sala de imersão “FLUXO”
19h: Show do projeto Pra Gira Girar: uma celebração aOs Tincoãs, com a participação especial do músico Mateus Aleluia, remanescente do grupo original
20h: Pocket show – Teresa Cristina canta Paulinho da Viola
*No sábado, 25 de maio, o museu funcionará em horário especial, das 16h às 21h, por conta da abertura da exposição e da sala imersiva.
Entrada: Visitação gratuita de 25 de maio a 25 de junho.

Horário de funcionamento: às terças-feiras o MAR funciona com horário estendido até as 19h. De quarta-feira a domingo, das 10h às 17h. Às segundas o museu fecha ao público. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (55) 21 3031-2741 ou acesse o site www.museudeartedorio.org.br.

Endereço: Praça Mauá, 5 – Centro.