ROSANA PAULINO: A COSTURA DA MEMÓRIA
O Museu de Arte do Rio (MAR) inaugurou no dia 13 de abril a exposição “Rosana Paulino: A Costura da Memória”. Após temporada na Pinacoteca, em São Paulo, a maior individual da artista já realizada no Brasil chega à cidade com 140 obras produzidas ao longo dos seus 25 anos de carreira. Assinada por Valéria Piccoli e Pedro Nery, curadores do museu paulistano, a mostra reúne esculturas, instalações, gravuras, desenhos e outros suportes, que evidenciam a busca da artista no enfrentamento com questões sociais, destacando o lugar da mulher negra na sociedade brasileira.

As filhas de Eva, trabalho sobre colagem de 2014
Rosana Paulino surge no cenário artístico nos anos 1990 e se distingue, desde o início de sua prática, como voz única de sua própria geração. Os trabalhos selecionados, realizados entre 1993 e 2018, mostram que sua produção tem abordado situações decorrentes do racismo e dos estigmas deixados pela escravidão que circundam a condição da mulher negra na sociedade brasileira, bem como os diversos tipos de violência sofridos por esta população.
Um dos destaques da mostra é a “Parede da Memória”. A instalação é composta por 11 fotografias da família Paulino, formando um conjunto de 1.500 peças, ainda da época de estudante da artista. As fotos são distribuídas em formatos de “patuás” – pequenas peças usadas como amuletos de proteção por religiões de matriz africana. O mural se transforma em denúncia poética sobre a invisibilidade dos negros e negras não percebidos como indivíduos. Quando os 1.500 pares de olhos são postos na parede, “encarando” as pessoas, eles deixam de ser ignorados.
A exposição também apresenta série lúdica de desenhos, na qual a artista revela sua fascinação pela ciência e, em especial, pela ideia da vida em eterna transformação. Os ciclos da vida de um inseto são comparados com as mutações no corpo feminino. A instalação Tecelãs (2003), composta de cerca de 100 peças em faiança, terracota, algodão e linha, leva para o espaço tridimensional o tema da transformação da vida explorado nos desenhos.
Em alguns de seus trabalhos a relação de ciência e arte é destacada, como em Assentamento (2013). A série retrata gravuras em tamanho real de uma escrava feitas por Ausgust Sthal para a expedição Thayer, comandada pelo cientista Louis Agassiz, que tinha como objetivo mostrar a superioridade da raça branca às demais. Para Paulino, “a figura que deveria ser uma representação da degeneração racial a que o país estava submetido, segundo as teorias racistas da época, passa a ser a figura de fundação de um país, da cultura brasileira. Essa inversão me interessa”, finaliza a artista.
SOBRE ROSANA PAULINO
Doutora em artes visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), é especialista em gravura pelo London Print Studio, de Londres, e bacharel em gravura pela ECA/USP. Foi bolsista do programa bolsa da fundação Ford nos anos de 2006 a 2008 e CAPES de 2008 a 2011. Em 2014 foi agraciada com a bolsa para residência no Bellagio Center, da fundação Rockefeller, em Bellagio, Itália.
Como artista, se destaca por sua produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero. Seus trabalhos têm como foco principal a posição da mulher negra na sociedade brasileira e os diversos tipos de violência sofridos por esta população decorrente do racismo e das marcas deixadas pela escravidão. Tem obras em museus como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), o University of New Mexico Art Museum (UNM) e o Museu Afro-Brasil, de São Paulo.
Serviço MAR e exposição “Rosana Paulino: A Costura da Memória”
Abertura da exposição: sábado, 13 de abril, às 16h
Curadoria: Valéria Piccoli e Pedro Nery
Temporada: até 25 de agosto de 2019
Horário de funcionamento
Terça-feira: 10h às 19h
Quarta a domingo: 10h às 17h
Horário dedicado a pessoas com deficiências intelectuais: todas as quartas, das 10h às 11h.
Valor do Ingresso
Geral: R$ 20,00
Meia-entrada: R$ 10,00
Meia entrada
Pessoas com até 21 anos
Pessoas com idade entre 15 e 29 anos, mediante apresentação da ID Jovem
Estudantes de escolas particulares (Ensino Fundamental e Médio)
Estudantes universitários
Pessoas com deficiência
Acompanhantes de pessoa com deficiência
Cariocas
Moradores da cidade do Rio de Janeiro
Bilhete Único dos Museus
(MAR + Museu do Amanhã)
R$ 32 (inteira) e R$ 16 (meia-entrada)
*Precisa ser trocado na bilheteria
Gratuidade
Às terças-feiras, o MAR é gratuito para todos.
MAR Aberto | Ingresso família
O ingresso família vale para 4 pessoas para visitar o museu aos domingos por R$ 20