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Conselho do Valongo recebe placa oficial de Patrimônio da Humanidade da Unesco

Prefeito Marcelo Crivella participou da cerimônia de recebimento de placa da Unesco durante abertura de seminário sobre o sítio arqueológico

O Seminário Internacional: Cais do Valongo, Patrimônio Mundial – desafios de Gestão e Interpretação foi organizado para ampliar o diálogo com a população, planejar as ações entorno do monumento e celebrar o marco de um ano do título de Patrimônio Mundial, no dia 9 de julho de 2017, na Cracóvia, Polônia. Marlova Noleto, representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), explica a importância do evento de hoje. “A entrega de um título de patrimônio mundial não é um prêmio como pode parecer. Na verdade, é um ato simbólico de reforçar a responsabilidade e o desafio que repousa sobre o poder público e também sobre a sociedade civil na conservação do Cais do Valongo e na preservação das suas características únicas que o levaram a ter sua importância reconhecida”.

Integrantes do Conselho do Valongo recebem placa em evento no auditório do MAR

Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, falou sobre a importância de contar a história da escravidão no Brasil e de cuidar do Cais do Valongo. “Mesmo durante a crise financeira sem precedente pela qual passa a cidade do Rio de Janeiro, a Prefeitura do Rio faz um esforço para manter o sítio. Agora, com o recém-divulgado apoio do Consulado Americano, será possível intensificar o trabalho”, explica.

Secretária Municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira ressaltou que o reconhecimento ao Cais do Valongo é uma forma de resistência na luta pelos direitos dos negros. “Hoje estamos refletindo sobre conservação, preservação e gestão. A escravidão nunca pode destruir histórias. A lembrança é nossa resistência. Precisamos nos orgulhar da nossa força criativa, evocar o sentimento de nação e, principalmente, o sentimento de que somos todos iguais – disse.

Kátia Bogéa, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enumerou os desafios à frente, que envolvem poder público e sociedade, numa gestão compartilhada entre diversos entes para não só gerir a herança do Cais do Valongo, mas também interpretá-la. “Vamos nos debruçar sobre a interpretação que daremos a esse sítio arqueológico. Nosso desafio é erguer as vozes do Valongo à altura que lhes é de direito. E hoje, com a entrega do título de Patrimônio Mundial da Unesco e a realização do seminário, damos importante passo nesse sentido”, lembrou.

Cais do Valongo visto de cima

O Sítio Arqueológico Cais do Valongo tornou-se o principal local de desembarque de africanos escravizados em 1811, sendo parte fundamental do complexo comercial escravista que funcionou na região até 1830. Estima-se que 900.000 cativos africanos entraram no continente americano pelo Cais do Valongo, atendendo à intensa demanda colonial por mão-de-obra escravizada. Os vestígios encontrados desde 2011 nas escavações arqueológicas das obras do Porto Maravilha revelam a enorme importância deste sítio arqueológico no maior processo de migração forçada já registrado na história da humanidade.

Obras de conservação começam em dezembro

Na última quarta-feira, 21 de novembro, a Prefeitura do Rio lançou a pedra fundamental das obras no Cais do Valongo. Na ocasião, foi anunciado aporte financeiro de US$ 500 mil (cerca de R$ 2 milhões) para o projeto. O dinheiro será proveniente da Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil, com recursos do Fundo dos Embaixadores dos EUA para Preservação Cultural. Outros parceiros da Prefeitura na iniciativa são o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto Maravilha (Cdurp) e o Iphan. O trabalho de conservação do local é o cumprimento de parte do compromisso assumido pela atual gestão quando da escolha como Patrimônio Mundial da Unesco. O trabalho vai começar em dezembro e deve durar dois anos. Serão executados o reforço estrutural de paredes e fundações, a restauração do pavimento original de pedras e a drenagem das águas da chuva.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura do Rio