ORGULHO DE REPRESENTAR OS OPERÁRIOS OLÍMPICOS
Francisco Ribeiro da Silva tem 27 anos e um filho de três. Maranhense de São Luís, trabalha hoje nas obras do Porto Maravilha, mas já morou em Rondônia, Mato Grosso e Goiás, sempre exercendo a função que aprendeu com o pai. Ele é pedreiro, especialista em acabamentos e pisos. No último do domingo, dia 21 de agosto, Francisco foi chamado para participar da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos. Representou operários que transformam a cidade olímpica. Não avisou a ninguém que iria subir ao palco do Maracanã. Não adiantou, o dia seguinte começou e acabou com ligações de amigos e parentes que o viram na televisão.

Francisco trabalha nas obras do Porto Maravilha e representou operários olímpicos na cerimônia de encerramento dos Jogos Rio 2016
“Fiquei muito feliz. Lá, ao lado do gari Renato Sorriso, erguemos uma criança responsável por levantar um troféu, a taça olímpica. Senti orgulho em ser escolhido pelo meu encarregado para representar tanta gente. Cheguei às 17h30 no Maracanã, eles me emprestaram uma calça porque eu só ando de bermuda, ensaiamos um pouco e depois foi só assistir tudo bem de pertinho até a hora de entrar. Perdi a noção do tempo, mas acho que nossa participação durou mais ou menos uns 20 minutos. Fiquei emocionado”, conta Silva.
O operário da Concessionária Porto Novo, contratada pela Prefeitura do Rio para execução das obras e prestação de serviços públicos municipais da Região Portuária, mora em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, há três anos. Seu primeiro emprego na cidade foi no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). Há um ano e quatro meses, começou a trabalhar nos acabamentos das obras do Porto Maravilha. “Estive até pouco tempo no canteiro de obras da Praça XV. Montamos todo o piso, conforme o original. Achei que ficou muito bonito. Agora trabalho na urbanização do entorno deste novo prédio em frente à Cidade do Samba. Faço o calçamento e os detalhes de encaixe dos pisos”, detalha.
Tímido, Francisco confessa que só assistiu à final do futebol masculino “do time do Neymar” e que tem pouco tempo livre para ver televisão. Até hoje, não trouxe seu filho para percorrer a Orla Conde que ajudou a construir. Este é seu plano mais imediato. Mais para a frente, quando acabarem as obras do Porto Maravilha, quer voltar a São Luís do Maranhão para visitar a família e, após um mês matando as saudades, continuar exercendo seu trabalho de instalação de pisos e acabamentos em grandes obras. Ele acha que volta ao Rio. Mas, afirma, tudo é possível “pois o Brasil é grande, e eu ainda sou muito novo”.