IPN COMEMORA 11 ANOS
O dia 13 de maio é uma data histórica, marcada pela Abolição da Escravatura, e religiosa, pelo Dia do Preto Velho na Umbanda. Por sua relação com a temática afro-brasileira a data foi escolhida para a abertura do Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN), em 2005. Comemorando 11 anos, o centro cultural e de pesquisa da Diáspora Negra continua referência no assunto. Parcerias com locais como o Museu de Arte do Rio (MAR), Museu do Amanhã e Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) levam o conhecimento das culturas afro-brasileira e africana para além do espaço físico da casa 32 da Rua Pedro Ernesto, na Gamboa.
A comemoração do aniversário começa às 18h com um culto inter-religioso e segue com lançamento e noite de autógrafos dos livros “Cativeiro-Carioca: Memória da perseguição aos Capoeiras nas ruas do Rio de Janeiro (1888-1930)”, de Gabriel Siqueira, e “Zacimba Gaba – Princesa Guerreira, a história que não te contaram”, de Noelia Miranda. Quitutes tradicionais também vão marcar presença, e o musical “História Cantada: Capoeira, Ancestralidade e Poesia” será apresentado. Com entrada gratuita, o evento é aberto a todos os interessados.

Local onde foram encontradas ossadas humanas é preservado
Um dos seis marcos do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, o Cemitério dos Pretos Novos só foi descoberto em 1996 quando a proprietária da casa, Merced Guimarães, começou uma obra e encontrou ossadas humanas. O que no início parecia cenário de uma chacina revelou-se depois ser local utilizado pela igreja para enterrar os chamados pretos novos (como eram chamados os cativos recém-chegados ao Brasil) no início do século XIX. O interesse de pesquisadores e da população incentivou Merced a fundar o IPN nove anos depois do achado arqueológico.
O espaço reúne museu de memória da herança africana, biblioteca, centro de visitação, programas de treinamento de professores e galeria de mostras de arte itinerantes. Presidente do IPN, Merced conta que à época da descoberta não tinha relação com essa temática, mas aprendeu muito com o passar dos anos. “Minha casa virou uma sala de aula sobre o mercado de escravos do Rio de Janeiro. Mais do que um instituto hoje somos uma família unida no compartilhamento dessa história e feliz por comemorar mais um ano”, destacou.
Desde a criação do Programa Porto Maravilha Cultural, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da Prefeitura do Rio responsável pelo Porto Maravilha, apoia o instituto financeiramente. Em 2016, esse patrocínio permitiu que pela primeira vez desde a criação do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, em novembro de 2011, cariocas e turistas percorressem os seis pontos do roteiro em visitas guiadas gratuitas organizadas pelo IPN. O projeto abre inscrições para conduzir 40 grupos ao longo do ano.
Outra atividade com apoio do Porto Maravilha Cultural é o ciclo de oficinas sobre cultura africana, história e relação do negro com a Região Portuária, ministrado por professores, especialistas e pesquisadores convidados. Além das atividades em sala de aula, dois passeios guiados levam participantes às ruas e locais onde a história aconteceu. As aulas começaram dia 8 de março e seguem até novembro. Confira a programação de maio no link.
Ainda este ano, o instituto foi selecionado no edital Cidade Olímpica, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), com o projeto “Mãe Preta”, das artistas visuais Patricia Gouveia e Isabel Lofgron. Exposição de fotografias, vídeos e técnica mista (mistura de vários suportes na mesma obra) sobre o ofício das africanas escravizadas no Brasil que atuavam como amas de leite será aberta ao público no segundo semestre com entrada gratuita.
O presidente da Cdurp, Alberto Silva, comemora o bom ano do IPN e destaca a missão da casa. “Foi essencial a criação dessa instituição para divulgar questão histórica de grande importância não só para a cidade, mas para todo o País. Essa descoberta atraiu visibilidade para o estudo do passado histórico da Região Portuária. Temos muito orgulho de apoiar o trabalho do instituto”, comemora Alberto.
Mais informações: (21) 2516-7089 ou e-mail pretosnovos@pretosnovos.com.br
Texto e fotos: Helena Soares